Aprovar não é autorizar. É validar política e processo.
A cultura de gestão de uma empresa aparece no momento em que alguém clica em aprovar. 10 pontos que deveriam ser olhados antes de cada aprovação de suprimentos, e o que o ERP já entrega para sustentar essa análise.
Existe um momento na vida de uma empresa em que a cultura de gestão fica visível, e ele dura poucos segundos. É quando alguém olha para uma solicitação de compra e decide.
Se nesse instante a pessoa olha o valor, confere se está dentro do que ela pode assinar e clica, ela autorizou. Se ela olha o valor, o orçamento, o histórico do insumo, a cotação e o fornecedor, ela aprovou. As 2 ações produzem o mesmo registro no sistema e significam coisas completamente diferentes.
A maioria das empresas acredita ter a segunda e opera com a primeira.
Por que suprimentos é onde a cultura se forma
Compras é o processo que atravessa mais áreas numa empresa que constrói: nasce no canteiro, passa por engenharia, orçamento, suprimentos, financeiro e fiscal. É também onde circula dinheiro com fornecedores externos, e por isso é um ponto historicamente crítico para irregularidades. A própria Lei 12.846 de 2013, a Lei Anticorrupção, empurrou empresas brasileiras a estruturar programas de conformidade justamente aí. [1]
Mas o motivo mais importante é outro, e é cultural. O time aprende o que a empresa realmente valoriza pelo que passa e pelo que é barrado. Se um pedido sem cotação passa, a mensagem foi dada: cotação é recomendação. Se um pedido acima do orçamento passa sem justificativa registrada, o orçamento virou referência. Nenhum comunicado interno desfaz o que uma aprovação ensina.
É por isso que aprovação de suprimentos não é tarefa administrativa. É o mecanismo pelo qual política escrita se converte, ou não, em prática.
Os 10 pontos
A lista abaixo não é um formulário para preencher em cada pedido. É o conjunto de perguntas que uma aprovação madura responde, e a maior parte delas o sistema deveria responder sozinho, antes de o aprovador abrir a tela.
O que o sistema deveria fazer antes de você
9 dos 10 pontos acima são verificáveis por dado, não por julgamento. Isso muda a natureza do trabalho de aprovar.
O papel do sistema não é lembrar o aprovador de checar 10 coisas. É chegar com as 10 respostas prontas, sinalizando as 2 que estão fora do padrão, para que o julgamento humano se concentre onde é realmente necessário. Quando o ERP entrega orçado contra apropriado na mesma tela da decisão, ele não está economizando cliques: está tornando possível uma análise que, na prática, ninguém faria manualmente numa fila de 30 pedidos.
O inverso também é verdadeiro, e é o risco maior. Um fluxo de aprovação sem informação embutida não produz controle, produz teatro de controle: o registro existe, a assinatura existe, e nada foi verificado. Do ponto de vista de auditoria, essa é a pior das 3 situações possíveis, pior do que não ter fluxo, porque cria a documentação de uma diligência que não ocorreu.
Como a cultura muda
Ninguém muda cultura de compras com treinamento. Muda com 3 coisas repetidas por tempo suficiente para virar expectativa.
- ·Consequência visível para o desvio. O pedido sem cotação volta. Não com bronca, com devolução. Uma vez, 10 vezes, até deixar de aparecer.
- ·Informação disponível para quem decide. Não se pode exigir análise de quem recebe apenas valor e descrição. Cobrar critério sem dar dado é cobrar adivinhação.
- ·O mesmo padrão valendo para cima. Se a diretoria excepciona sem justificar, o processo está encerrado como instrumento cultural. A aprovação de quem manda é a que mais ensina.
E vale medir. Lead time de compra, taxa de devolução, frequência de exceções por área, percentual de pedidos aprovados fora do orçamento. Indicadores extraídos do sistema, não montados à mão. [5] Quando esses números existem e são olhados, a conversa sobre aprovação sai do campo da opinião.
No fim, aprovar bem custa mais tempo por pedido e menos tempo por ano. A empresa que aprova rápido e sem olhar paga a diferença depois, em retrabalho, devolução, estoque parado e discussão sobre número errado. Só não paga na hora em que a decisão foi tomada, e é por isso que a conta demora tanto para aparecer.
Como aplicar isso na sua empresa
Escrito pela equipe do HIRIS. No SiApprove, a aprovação chega ao celular com contexto e alçada.
Referências
- [1]Sobre compliance em compras na construção civil, centralização e documentação em ferramenta única, e o contexto da Lei 12.846/2013: Blog Sienge
- [2]Sobre o desalinhamento entre plano de compras e cronograma físico da obra: Blog Sienge
- [3]Relatório de aprovação de solicitações de compras com quantidade orçada e quantidade total apropriada por item: Central de Ajuda Sienge
- [4]Boas práticas de suprimentos: padronização de documentos, aprovação por faixas de valor, conferência na entrega e avaliação periódica de fornecedores: Blog Sienge
- [5]Sobre extrair indicadores de suprimentos do próprio sistema para garantir confiabilidade: Blog Sienge
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