Você sabe quais são seus talentos?
A pergunta não é retórica. Se a resposta depende da memória de 3 gestores, sua empresa não sabe. E se não sabe, também não sabe se o talento está sendo reconhecido ou está de saída.
Faça um teste na próxima reunião de diretoria. Peça para cada gestor listar, sem consultar ninguém, as 3 pessoas da equipe dele que a empresa não pode perder. Depois pergunte quantas dessas pessoas receberam, nos últimos 6 meses, alguma sinalização explícita de que são vistas assim.
A distância entre as 2 listas é a medida exata do problema. Não é que a empresa não tenha talentos. É que ela os conhece informalmente e não age sobre esse conhecimento.
Conhecer de cabeça não é conhecer
Quando a identificação de talento vive na memória dos gestores, ela carrega 4 defeituos previsíveis.
A ferramenta mais usada, e o que ela realmente faz
A matriz nine box cruza 2 eixos, desempenho atual e potencial de desenvolvimento, gerando 9 classificações que orientam decisões sobre desenvolvimento, sucessão e reconhecimento. [2]
O valor dela não está na classificação. Está no que a classificação força a acontecer. Nunca houve tantos dados disponíveis, avaliações, feedbacks, pesquisas de clima, indicadores de produtividade, mas dados isolados não geram decisão: sem uma estrutura que conecte essas informações, o RH fica com excesso de informação e pouca clareza de prioridade. [3]
Há um caso específico que a matriz resolve bem e que a percepção resolve mal: potencial alto com desempenho ainda médio. Nessa combinação, a pessoa tem grandes possibilidades de se desenvolver, e investir em qualificação e retenção tende a dar retorno. [4] Sem instrumento, essa pessoa é frequentemente lida como "mediana" e perdida para o mercado.
E existe um erro de uso que anula a ferramenta: classificar e parar ali. Mais importante do que encaixar pessoas nas caixas é usar a leitura como base de decisão prática. Cada quadrante deve gerar ação específica: desenvolvimento, acompanhamento, reconhecimento ou preparação para sucessão. Sem esse desdobramento, o esforço de avaliação perde sentido. [1]
Os processos que precisam existir antes
Nenhuma matriz funciona sobre o vazio. Ela é a etapa 5 de uma sequência, e a maioria das empresas tenta começar por ela.
Reconhecimento não é premiação
Aqui está a confusão mais comum. Empresas montam programa de bonificação e concluem que reconhecem. São coisas distintas, e a segunda é mais barata e mais determinante.
Reconhecimento é a pessoa perceber que a organização sabe quem ela é e o que ela faz. Isso se manifesta em coisas pequenas e frequentes: ser consultada nas decisões da própria área, receber a informação antes de virar rumor, ter o pedido de desenvolvimento levado a sério, ouvir o próprio nome associado a um resultado numa reunião onde ela não estava.
Talentos se sentem percebidos e reconhecidos quando recebem atenção e trilhas de desenvolvimento adequadas. [1] Nenhum desses itens exige orçamento. Todos exigem que alguém, em algum lugar, tenha registrado que aquela pessoa existe e importa.
Como saber se está funcionando
Existem 4 indicadores que revelam o estado real, e nenhum deles é a nota média da avaliação.
- ·Rotatividade entre os identificados como alto potencial. Se a empresa perde justamente essas pessoas, ela identifica e não age. É o pior dos cenários, porque tem o custo do processo sem o benefício.
- ·Percentual de posições preenchidas internamente. Se toda vaga de liderança vem do mercado, a trilha não existe de fato, apenas no documento.
- ·Tempo médio na mesma função sem conversa de carreira. Pessoas há 4 anos no mesmo lugar sem nenhuma discussão formal sobre futuro são as candidatas naturais a sair.
- ·Consistência das notas entre gestores. Se uma área tem 80% de alto desempenho e outra 20%, o problema provavelmente é de calibração, não de time.
E vale a pergunta final, que é a mais simples e a mais reveladora: se as 5 pessoas mais importantes da sua operação recebessem uma proposta amanhã, você saberia dizer quem são, e elas saberiam que você sabe? As 2 metades da pergunta importam igualmente. Saber sem comunicar é um risco tão grande quanto não saber.
Como aplicar isso na sua empresa
Escrito pela equipe do HIRIS. No SiPeople, a jornada do profissional fica acompanhada.
Referências
- [1]Sobre transformar quadrantes em ação, transparência de critério e a relação entre reconhecimento e retenção: Join RH
- [2]Sobre a estrutura da matriz, os 2 eixos e os ganhos em decisão, sucessão e planos de carreira: Senior
- [3]Sobre o excesso de dados isolados e a necessidade de uma estrutura que conecte a informação: Mereo
- [4]Sobre a combinação de potencial alto com desempenho médio e o retorno de investir em qualificação: Convenia
- [5]Sobre calibração de pesos e critérios e sobre ganhos em cultura de feedback: Tagguí RH
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