Trabalho por pipeline: o que a empresa ganha usando tickets
Enquanto a demanda circula por mensagem e conversa de corredor, ninguém sabe o tamanho da fila, quanto tempo leva nem onde ela trava. Ticket não é burocracia: é a única forma de enxergar o trabalho.
Existe uma pergunta que quase nenhuma empresa de médio porte consegue responder: quantas coisas o time de TI, de facilities ou de RH está devendo hoje?
Não é falta de competência. É que a demanda entrou por 6 canais diferentes: mensagem no aplicativo, e-mail direto, conversa no corredor, pedido em reunião, ligação e o clássico "aproveita que você está aqui". Nenhum desses canais deixa registro comparável. O trabalho existe, é executado, e é invisível.
O que acontece quando a fila não existe no papel
Uma fila invisível não deixa de ser uma fila. Ela só passa a ser gerenciada por memória e por pressão, e isso produz 4 efeitos previsíveis.
Pipeline é uma forma de pensar, não um software
A ideia central é simples: todo trabalho que alguém pede a outra pessoa é um item que entra, atravessa etapas e sai. Isso vale para um chamado de manutenção, uma solicitação de acesso, um pedido de contratação e uma dúvida de folha.
O que um pipeline exige é modesto: etapas nomeadas, um responsável por etapa e prazos definidos por etapa. Divida o processo em etapas claras e ordenadas, com responsável e prazo, e o fluxo deixa de depender de quem está lembrando dele. [1]
E há um detalhe que costuma ser esquecido, com consequência grande: o pipeline não é linear. Fluxos de decisão seguem caminhos diferentes conforme a resposta, o que é justamente o caso de aprovações, validações e triagens. [1] Desenhar isso explicitamente evita que o item fique sem destino quando a resposta é não.
O que a empresa ganha
Os ganhos aparecem em 3 níveis, em ordem de tempo.
No primeiro mês: visibilidade. Você passa a saber quantos itens existem, de que tipo e quem está sobrecarregado. Só isso já muda a conversa de alocação de equipe, porque para de ser baseada em percepção.
No terceiro mês: previsibilidade. Com histórico, dá para dizer quanto tempo um tipo de item costuma levar. Isso permite prometer prazo em vez de prometer esforço, e é a diferença entre uma área que gera confiança e uma que gera cobrança.
No sexto mês: redução de demanda. Este é o ganho que ninguém antecipa. Com o registro, a recorrência fica visível, e aí é possível atacar a causa. Uma parte substancial dos chamados de qualquer operação vem de 3 ou 4 problemas estruturais que ninguém tinha nomeado.
Vale registrar também o ganho institucional. Padronizar registros e mantê-los em uma ferramenta única garante rastreabilidade e facilita auditoria. [2] Numa empresa que busca certificação ou responde a cliente exigente, isso deixa de ser conveniência e passa a ser requisito.
Onde a implantação falha
O padrão de fracasso é tão consistente que dá para listar.
- ·Formulário longo demais. Se abrir um ticket custa 4 minutos e mandar mensagem custa 10 segundos, o time vai mandar mensagem. A abertura precisa ser mais fácil que o atalho.
- ·Ninguém responde o que entra. Um sistema onde o item fica parado 5 dias sem sinal ensina o solicitante a não usá-lo. A primeira resposta é o que sustenta a adesão, mesmo quando é só "recebi, vou olhar amanhã".
- ·O gestor continua aceitando pedido por fora. Enquanto o caminho paralelo funciona, ele será usado. E quem mais usa o caminho paralelo é, normalmente, a liderança.
- ·Automatizar o processo torto. Um fluxo com 6 etapas desnecessárias, quando automatizado, continua com 6 etapas desnecessárias, só mais rápidas. [3] Desenhe o fluxo que deveria existir, não o que existe.
- ·Medir volume em vez de resolução. Contar tickets fechados premia quem fecha rápido sem resolver. Meça reincidência junto, ou o indicador vai contra o objetivo.
Como começar pequeno
Não comece pela empresa toda. Escolha 1 área que recebe muita demanda e sofre com isso, normalmente TI ou manutenção.
Ao fim de 1 trimestre você terá algo que a maioria das empresas não tem: uma resposta objetiva para "quanto trabalho existe aqui, e quanto tempo ele leva". Todo o resto, priorização, dimensionamento de equipe, automação, corte de retrabalho, depende dessa resposta existir primeiro.
Como aplicar isso na sua empresa
Escrito pela equipe do HIRIS. No SiTicket, cada área ganha sua esteira, com SLA e histórico.
Referências
- [1]Sobre estruturar etapas, responsáveis e prazos em um fluxo de trabalho, e sobre fluxos de decisão não lineares: Flash
- [2]Sobre padronização de registros, rastreabilidade e facilidade de auditoria: Blog Sienge
- [3]Sobre automatizar um processo sem redesenhá-lo: Populis RH
- [4]Sobre sinais de gargalo, dependência de controles manuais e perda de visibilidade quando a demanda circula por e-mail e mensagem: Zeev
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